Bruno Silveira

Desabafo

In Opinião on 22/11/2011 at 16:41

Por Wallace Soares.

Estou cansado de ouvir professor com mestrado, pós-graduação, se denominar especialista em questões sociais. Sustentando seus discursos embasados em teorias que vêm muito antes de termos nascido, tanto como antes de Cristo, idéias platônicas, iluministas, positivistas, pessimistas, sobre a ótica de teóricos que criam posicionamentos a partir dos estudos de sua época. Sou muito grato aos estudos realizados por eles tanto Ohso, Schopenhauer, Émile Durkheim, Platão, Rousseau, Descartes, Kant, Max Weber, Karl Marx, Edmund Husserl, Sartre, dentre outros. Ao meu ver foram fundamentais e de fato ainda tem muita serventia. Sei que não são todos que agem dessa forma, porém acho inconcebível analisar a atual sociedade embasando-se apenas nos estudos destes teóricos que sequer viveram a ponto de ver a realidade de hoje, nenhum deles teve a oportunidade de presenciar o fenômeno da globalização nenhum deles presenciou o que os meios de comunicação fazem com a sociedade, sequer puderam ver a influência midiática em todos os setores hoje no século XXI.
A realidade hoje é que criança de 10 anos usa droga, classe média é corrupta, jovem de 14 anos porta fuzil, fazendeiro manda matar ativista, por causa de um real gente morre. Também acontece muita coisa boa, pessoas ajudando quem nada tem, saraus aquecendo os corações das pessoas de alegria e esperança, manifestos em busca de melhorias. A coletividade, o respeito e a solidariedade nos núcleos de relações pessoais.
Por isto acho que está na hora dos nossos mestres, professores e celebres acadêmicos tirarem a bunda da escrivaninha e começarem a analisar a sociedade de hoje através de suas experiências com a nossa realidade.Ir aos bares, às ruas perceber o calor humano, os diálogos, as brigas, o que está acontecendo nas favelas, nos campos, abrir os olhos.
Talvez esta experiência, juntamente com o contato com os livros, possa nos dar muito mais esclarecimentos sobre o hoje, porque dentro de seus escritórios realmente a análise sobre os acontecimentos serão apenas influências de jornais, revistas e sites de informações, que passam o que acham que é melhor para a população, ou seja, mesmo com todo estudo serão apenas mais cidadãos comuns no quesito da análise ativa, de entrar em contato de fato com o atual, seria importantíssimo não se fechar, apenas ler críticos e filósofos conceituados e achar que já é o suficiente. Porque senão o pensamento do professor perante o aluno será de que o este é sempre um imbecil que não tem condições de contextualizar as complexidades atuais, apenas um telespectador, mortos vivos, sem racionalidade, mas não sei se estes professores que de certa forma se utilizam de um discurso arcaico não pararam para pensar que os seus métodos e conceitos utilizados por eles talvez estejam ultrapassados e, por conta disso, a comunicação com o aluno e a sociedade de hoje se torne inaplicável.
Será que estes professores já pararam pra analisar esta “Fenomenologia”?

Wallace Soares é estudante de jornalismo.

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Reciclagem

In Crônica on 15/11/2011 at 18:08

Por Wallace Soares.

Encontro-me numa sinuca de bico, o mercado de trabalho está cada dia mais competitivo. Os jovens, cada vez mais voláteis, sabem desde o latim até o mandarim. Não precisamos mais de técnicos para arrumar nossos eletrônicos, os sobrinhos e os filhos se prontificam no auxílio e nem reclamam. O inglês aqui é mais falado do que o nosso bom e velho portuguesinho. Aliás, tudo é mais falado na atual modernidade, “nosso portuga foi jogado para escanteio”. As crianças podem ser classificadas como prodígios, andam de braços dados com a tecnologia. Não existe mais brincadeira, o esconde-esconde não é mais na rua, é nas redes sociais, pega-pega agora é no MSN. A Cibernética é o embrião, e não para de mostrar novos avanços e benefícios que facilitam a vida dos seres humanos, tudo em perfeita sincronia.
Eu nem sei onde me encaixo, neste quadro poderia ser chamado de aberração. E não é por menos sequer sei mexer em um celular que possui comandos diversos, como Bluetooth, Internet, GPS, televisão, dicionários, o mais constrangedor é que meu priminho que sequer está no primário tira de letra todos os mecanismos citados acima.
Quando o quesito é computador então chega a ser mais humilhante, a única coisa que sei fazer é ligar, entrar na Internet, mexer no Word, mas apenas as funções simples, para eu conseguir baixar um vídeo é uma luta danada.
Enfim, na era da tecnologia cá estou eu lutando contra um gigante, os resultados desta batalha são desastrosos, para conseguir emprego é uma luta, na última entrevista me pediram para pegar um tablet e fazer uma redação. Fiquei 30 minutos para conseguir ligar a ferramenta, quando já estava pronto para dissertar um texto sobre a tecnologia e suas facetas, a atendente me informou que meu tempo havia acabado.
Fui embora ciente das minhas dificuldades de inserção, os empregos vão ficando cada vez mais difíceis, sem contar que nem escrever sei ao certo, ao parar na Praça da Sé, percebo o número de ambulantes vendendo as mesmas coisas e acabo descartando a possibilidade de entrar neste ramo, pois a maioria deles vendem eletrônicos e sabem utilizar tranquilamente suas ferramentas de trabalho.
Ao refletir:
“É não vai ter jeito”
Talvez eu tenha que ir trabalhar naquele horrível ferro velho, pensando bem pode ser que o trabalho não seja tão ruim, sem contar que talvez eu possa encontrar coisas familiares, algum Walkman, vitrola, vinil, vídeocassete, ou qualquer outra coisa que não tenha utilidade, pois o ferro velho sempre está de braços abertos para todos, que não tem mais serventia.

Wallace Soares é estudante de jornalismo.

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Tá na moda

In Crônica on 14/10/2011 at 12:50

Por Wallace Soares.

O legal mesmo é curtir. Curto samba, rock, pop, frevo, techno, funk, porque tá na moda. Tudo bem, o novo homem contemporâneo tem que ser assim, aberto a tudo sempre disposto a interagir. Se alguém foge a este padrão logo irão ridicularizar o retrógrado e lhe inserir o jargão de antiquado, pré-conceituoso, ou mesmo reacionário, o atual discurso é estar aberto ao novo.
Daí de um jeito ou de outro tudo está mais ou menos assim, tudo igual.
Se o broto pedir o garoto em namoro ele logo fala: que nada eu quero é curtir, o teatro volta à cena, mas de uma forma bem humorada, comediantes linha de frente puxam este bonde, O stand up “Coméishon” é o que há, as piadas são baixas!?! Depende de quem escutar, a maioria curte, hoje não tem mais comunidade, afinal vamos e convenhamos, comunidade sempre foi sinônimo de carência, e carente hoje em dia poucos são, por que a maioria esta sempre curtindo, na noite, na net, no flat, com a mente, até na favela. Curtir não é mais só diversão de Cinderela.
Eu mesmo sei que não preciso de psicólogo, pois tenho voz ativa, sempre que estou sentimental posto no “Face”. Falo o que sinto, merda, coisa boa, até mentira, e o melhor disso, todo mundo curte, as frases sempre são motivadoras, pois se o meu dia está ruim, ao adentrar no “Face” percebo que a do meu amigo está pior, nada melhor que isso para pensar que o que está ruim, sempre pode ficar pior. Chega a até ser um conforto, hoje eu odeio televisão, mas a Internet, para mim foi a melhor invenção, se não fosse ela eu não teria me aberto para o mundo, me sinto dentro dos movimentos, sei que falta pouco para a mudança…
Meu primo é desses retrógrados que impedem o progresso, ele me falou que o sistema é o mesmo que nada mudou apenas a ferramenta de domínio público. Eu não entendi, ele tentou me explicar, disse que antigamente, era política do pão e circo, que depois virou o rádio como item familiar, a TV como fator social e o hoje é a Internet tendo o “homem” sob o domínio dele mesmo, bateu na tecla que os interesses ainda são os mesmos, que a única mudança que aconteceu e sempre acontece é no discurso. Ainda enfatizou que é pior do que antes, porque antes estes veículos eram vistos por nós apenas como diversão, hoje ainda achamos que estamos de alguma forma mudando com ele, mas ele que está nos moldando. Já eu não gostei, mas curti, fazer o quê? Tá na moda né?

Wallace Soares é estudante de jornalismo.