Por Wallace Soares.
A malandragem vem hipoteticamente contrariando todo senso de justiça,
seu algoz se faz, mas já é parte dela mesma, é invariável seu tempo de ação, não esta só com quem porta o revólver nas mãos,
é mais devastadora do que a droga, não faz acepção de pessoas,
anda com o pivete, dorme com o coroa.
Alguns se justificam, dela fazem uso pra levar seu ganha pão,
uns mais simples, “cansei de ser otário meu irmão”, e assim vai a massa de manobra.
O trabalhador cansado, mas não com sono, finge dormir para não dar lugar ao idoso.
O jovem para a mãe mente pra não ir à escola.
Na intenção de encantar um broto o “malandro” enrola.
E seus amigos, esses lhe acham o foda,
e não sobra pra ninguém, a irmã que engabela o patrão,
dizendo que o motivo do atraso é a condução.
Se o carro do pai quebra lá vai ele pegar um novo no desmanche.
E assim a peça se completa.
Mas espere um instante, até eu mesmo que aqui estou fazendo uso de sílabas e consoantes,
faço parte ativamente dessa verdade discrepante.
E agora me diz quem é o tratante? De quem é a razão?
De quem critica a mulher do vizinho que sai com o Ricardão?
Mas que pela internet se insinua tirando a roupa pra mais de um milhão.
O bagulho é doido, mentira, ou não. Talvez eu seja o mais cuzão,
que aqui estou a escrever palavras em vão.
Wallace Soares é estudante de jornalismo.


